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Alô cidade!

Histórico do Hospital José Fonseca

Li no Jornal Local que o Hospital José Fonseca não apresenta estrutura satisfatória para receber pacientes. Não apresenta agora, mas já apresentou. O Hospital José Fon­seca teve início dia 8 de dezembro de 1965, logo apos a transferência do Hospital Alzira Vargas para a Santa Casa. Como não tinha recursos suficientes para colocá-lo em funcionamento, o senhor comendador Raif Tabet, doou um carro 0 km para rifar. Com o dinheiro da rifa pode dar inicio ao Hospital Jose Fonseca, orientado por uma equipe de organização hospitalar do Ministério da Saúde, sendo um administrador, uma medica e uma enfermeira de alto padrão. Esta preparou uma turma para dar assistência aos pacientes. Começou funcionando tudo no segundo andar. Na medida que foram entrando recursos. Ocupou-se o terceiro andar. Em seguida. o Centro Cirúrgico e quarto andar. Mais tarde a Pediatria, no quinto andar. Não funcionou como um super hospital, mas como de interior, funcionou bem. De quando em vez, havia alguma crise, mas eram superadas com ajuda de alguns filhos de Valença, inclusive o doutor Jose Graciosa ajudou muito, como prefeito e quando no Tribunal de Contas.

Nunca foi suspensa uma cirurgia por falta de material cirúrgico e equipamentos. Tinha material cirúrgico até para emprestar ao Hospital Escola (nos casos de Ortopedia).

Nunca faleceu um paciente por falta de medicamento. Sempre teve boa alimentação, orientada com boas nutricionistas.

Trabalhei no Hospital José Fonseca cinquenta anos, tinha entrada em todos os setores, assim sei como funcionava.

O Hospital José Fonseca vem piorando desde a última gestão plena municipal. Até então, os médicos ganhavam por produção. Nesta gestão, eles foram assalariados. Um médico, neurocirúrgico, doutor Audrey (falecido) disse-me que foi contratado por R$ 6 mil ao mês com direito de receber dos particulares. Agora, uma equipe de três, ganharia R$ 18 mil.

A Santa Casa ficou com dificuldade de continuar pagando estes salários, acabou devendo muito aos médicos. Como não era possível trabalhar de graça, deixaram de atender os pacien­tes. Só doutora Cátia e doutor Fernando Galvão deram atendimento, enquanto tinha pacientes.

Quando venceu o prazo de gestão municipal, o senhor Walter Menezes, continuou como provedor. Ganhou uma boa verba. As verbas são somente para reforma ou compra de aparelhos, o senhor Walter começou com muita honestidade, pois ele mesmo que administrou esta verba, a reforma do Hospital. Trocou todas as janelas, comprou dois elevadores, um gerador automático, cimentou toda a área, atrás da Santa Casa. Construiu três quartos para coleta de lixo. Um para lixo infectado, outro para lixo normal. Construiu banheiros para o pessoal da manutenção, unidade para arquivo, as oficinas de carpintaria, pintura, concertos de material danificado. auditório, etc. Quando o doutor Nilo Graciosa construiu a UTI, os primeiros médicos que trabalharam lá, diziam que era a melhor UTI da região.

A Santa Casa nunca deixou de receber doentes, mesmo que ultrapassasse a cota do SUS. Assim, não pode dizer que não tinha estrutura. Foi tratado doente do SUS com medicamento de R$ 300 o frasco, de 8/8horas. Paciente grave, mas ficou bom. Ficou para a Santa Casa por mais de 150 mil.

Não se pode dizer que o Hospital não tinha estrutura. Se não tinha uma estrutura desejada, mas sempre primou pelo calor humano, tanto para o doente de Plano, como os pobres. Sempre teve roupa suficiente. Nunca faltaram cobertores, tendo necessidade de pedir em casa!

Vários acontecimentos colaboraram para o Hospital fechar. Bem antes de fechar, quando o doente chegava ao Pronto Socorro, se ele pedisse para internar no Hospital Geral, era lhe negado, dizendo que o Hospital não tinha condições de funcionar. Iria ficar sozinho, pois não tinha mais ninguém. Médicos que diziam isso.

Li, também, no Jornal Local, numa visita só encontrou três doentes do SUS internados no Hospital José Fonseca. A razão é esta: no Pronto Socorro prefere-se tratar do paciente, no corredor, nas cadeiras “Papai”,até desocupar uma vaga do que internar no Hospital Geral, com mais conforto. Ouvi isto várias vezes pelos próprios doentes que encontravam comigo na rua. Sofri bastante com o fechamento do Hospital. Perdi parte das noites de sono. Tenho 63 anos de vida hospitalar, cinquenta anos aqui, na Santa Casa.

Tudo que escrevi, não foi por boatos, mas o que vi e vivi. Espero que com o Estado assumindo, possa melhorar e que os pacientes sejam bem tratados como pessoa e não como números. Bastante calor humano.

Irmã Anna Braga – Cidadã Valenciana

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