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Beata Teresa Michel – Uma vida de amor e doação – Parte 02


Reflexão Madre Michel

A vida de Madre Teresa Michel foi marcada por uma experiência de Deus cada vez mais viva e profunda. Salientou-se a linha de um abandono filial à Providência Divina.

“…A Divina Providência provê” e proverá sempre mais generosamente às suas filhas, na medida em que estas tenham maior confiança e fé. Não quero, pois cometer o erro de duvidar dela, e, segura de que não pode faltar a quem nela confia, expulso as maiores preocupações e me abandono à sua materna bondade…”(1).

O Fundamento de sua vida, segundo o Espírito foi a Fé, dom de seu Batismo. Fé que a levou ao encontro com Cristo, testemunhado e comunicado pela Igreja, como Encarnação permanente do Filho de Deus”, (2) através de uma constante conversão. Fé que a fez colocar-se à disposição de Deus, a exemplo de Abraão e de Maria. Ouviu também ela: “Abandona! É preciso partir!” E soube dizer: sim!

“É necessário habituar-se a ver a vontade de Deus em todos os acontecimentos que se nos sucedem e dizer o ‘fiat’ amoroso e resignado de um bom filho ao próprio pai. Não é tal, Deus para conosco? E não estamos persuadidas de que tudo, tudo aquilo que ele quer ou permite, é para nosso maior bem? Amemo- lo, pois, e nele só, ponhamos toda a nossa esperança”(3).

“Fé é aceitação da mensagem salvifica de Deus, que se realiza em Cristo, e a submissão a este caminho decretado por Deus “(4). É crer em Alguém que se nos apresenta incessantemente sob um aspecto diverso. O absoluto. A Fé está “num quadro de tradição viva e, quanto ao conteúdo, sujeita a uma explicitação progressiva” (5). Portanto, é dinâmica.

Exige espoliação, pobreza. É um risco e não uma segurança. É apelo que pede resposta livre e consciente. É cristológica e por isso trinitária.

“Não desconfies de Deus. É ele quem quer dar-nos aquilo de que necessitamos e não nos devemos cansar de pedir e suplicar que tenha piedade de nós. Com grande fé, quanto maior é nossa necessidade, mais devemos esperar o auxilio pedido. Não nos desanimemos. São momentos preciosos para ganhar algum merecimento”(6).

Qual foi a Meta de sua vida? Deus uno e trino. O objeto da Fé é Deus . “Deus Pai que encontramos na Páscoa do Filho, pela ação do Espírito Santo”. Deus Criador, Deus Pai, Deus Trindade, Deus Amor, Deus Misericórdia, Deus Comunicação.

Conhecer este Deus e a ele amar foi o anseio constante de Madre Teresa Michel.

“Oh! está segura, Teresa, de que onde esta a cruz está Deus. E, com ele, se está bem, mesmo sobre o Calvário”(7).

Na contemplação, descobriu a dimensão infinita de sua Providência, que tudo rege, e cujas asas tudo cobrem. Sentia a presença deste Deus Emanuel “que firma tenda com seu povo e com ele se ocupa. “A Congregação é obra de Deus, repetia muitas vezes. Somos apenas miseráveis instrumentos”.

Dimensão. Tanto o definitivo quanto o provisório, foram vividos por Madre Teresa Michel, numa dimensão de Amor e de Esperança. Numa dimensão de eternidade. Soube encontrar Deus no instante presente, que se lhe apresentava: acontecimentos alegrias, dores, pessoas, circunstâncias, trabalhos, orações, viagens, descansos, canseiras. Coisas reveladoras ou a rotina do dia-a-dia.

“Mas, quem pode ir contra a vontade de Deus? Por que nos obstinamos a querer ver só as criaturas, naquilo que nos sucede? Tenha fé e não olhes apenas o mal. Isto só serve para magoar-te inutilmente. Eleva um pouco teu coração para o alto e encontrarás a paz”(8).

Nela se realizou a prece do Apóstolo: “Que o Deus da Esperança encha vocês de alegria e de paz, por meio da fé que vocês têm nele, para que esta esperança continue a crescer pelo poder do Espírito Santo”(9).

Expressão na vivência. Especialmente a partir de sua “conversão”, como dizia, e vamos dizer, de sua “morte e ressurreição”, após a grande luta, disse a Deus um “SIM’, resoluto, firme, perseverante. Aceitou a cruz da viuvez e descobriu um sentido novo em sua vida. “É preciso partir”, disse-lhe Deus. Dócil à inspiração do Espírito Santo, auxiliada pela proteção de Maria, começa a “viver no mundo, sem ser do mundo”(10).

“Amai ardentemente ao Senhor. Sabei reconhecê-lo na pessoa dos superiores para respeitá-los e obedecer-lhes; na pessoa dos pobres, dos pequenos, dos aflitos para socorrê-los, instruí-los, consolá-los. Amai tudo o que Deus manda e deseja e este amor vos inflamará de zelo, far-vos-á vencer todas as dificuldades, tornará o vosso apostolado fecundo de todo o bem que o Divino Coração esperava de cada uma de vós, quando vos fez ouvir a misteriosa voz da vocação”(ll).

Sua força: a Oração. A contemplação foi uma característica marcante em sua vida. Vivia numa busca incessante de Deus. Afastava-se, na solidão das noites, permanecendo horas em silêncio, na Igreja, para ouvir o que Deus dela queria. Toda sua vida era uma oração contínua. Aprendeu a descobrir Deus nas pessoas, nas coisas, nos fatos.

Corajosa e humilde, respondia aos apelos divinos. Provações de toda a espécie vieram testar sua virtude. Nada, porém, conseguiu diminuir sua fé e confiança em Deus, em sua Providência. Pela grande Paciência, mereceu o titulo de mulher pascal. Mulher de Esperança que viveu a ressurreição de Cristo, numa entrega filial à vontade de Deus.

“Com a paciência e a oração tudo se vence, e venceremos também a nós mesmas, e seremos unidas num só ideal de fé e de caridade”(12).

Em seu grande respeito pela pessoa humana, descobriu o outro: filhos todos do mesmo Pai, templos do Espírito Santo. Nasceu dai sua compreensão da fraternidade. O “não vim para ser servido, mas para servir”, fê-la entregar-se ao serviço do irmão, principalmente, do mais necessitado. Maria foi o exemplo de sua dedicação.

Procurou a realidade de seus dias, para engajar-se no trabalho efetivo, em benefício do irmão. Desprendeu-se de suas grandes riquezas e passou a ser a “mãe de uma multidão de gente pobre”. Que dizer de seu respeito a tudo que se referia ao Culto Divino? A Eucaristia era sua força, seu sustentáculo, O atrativo maior de sua existência.

” Aprende a viver da vida interior, isto é, a tratar mais intimamente com ele, como se te fosse presente. E não está ele presente no SS. Sacramento, na solidão do Tabernáculo? E verás como tua vida mudará, como as coisas se te apresentarão diferentes e como agradecerás a Deus por tornar-te digna de sofrer algo por ele, para ganhar almas” (13).

A Caridade. Dar amparo e amor aos pobrezinhos foi a grande aspiração de sua vida. Esquecida de si mesma, entregou-se ao Apostolado do testemunho, da expressão, primeiro, na vivência. A todos ia levando a mensagem do Evangelho de Cristo. A mensagem de fé, esperança e amor. A mensagem da confiança e do abandono “à tutela do Eterno”. Aos poucos, foi-se aclarando um novo chamado de Deus.

Pela reflexão e muita oração, definiu-se. Deus queria uma nova Congregação. Humilde, confiante, comprometeu-se com os votos de pobreza, castidade e obediência, na Congregação por ela fundada. Era a vontade de Deus.

Os votos deram um novo brilho às suas, já grandes virtudes. Em toda sua vida, porém salientou-se uma linha mestra: o abandono à Providência Divina. Foi como o estribilho de sua maravilhosa canção de louvor a Deus Uno e Trino. O Absoluto de sua vida.

“Anteriormente, não tinha senão uma pálida ideia das maravilhas que a Divina Providência opera, a todo instante, no mundo. Entregai-vos, totalmente, a Deus e haveis de perceber, concretamente, sua bondade”(14).

Espiritualidade e toda uma vida entendida, orientada e alimentada pelo Espírito de Cristo, na comunhão com o Pai. Expressa-se na fraternidade. Madre Teresa Michel acreditou, amou, esperou, viveu segundo o Espírito Santo.


1  Carta de 15/9/1901 alla scuola…
2  Mohler
3  Carta de 5/07/1919 alla scuola…
4   Dicionário de teologia, edições Loyola: fé
5   Dicionário de teologia, edições Loyola: fé
6   Carta de 30/8/1900 Do livro O Espírito de MTM
7.  Carta de 9/1/1933: Alia Scuola di M. Teresa Michel.
8.  Carta de 1/4/1921: Alla Scuola di M Teresa Michel.
9.  Rom 15,13.
10.  Jo 17,16.
11.  Carta-circular de l/12/1937: “O Espírito de Madre Teresa Michel”,de Pe. Amato.
12.  Carta de 22/7/1932: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
13.  Carta de 19/11/1920: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
14.  “Vida de M. Teresa Michel”: Mons. Carlos Torriani, Trecho da carta.

Madre Teresa Michel, abençoe as famílias, nossos amigos, alunos, pais, todos aqueles que colaboram em nossa missão aqui no colégio. Abençoe esta cidade e o povo que nela habita e conceda-nos paz e serenidade. Ajude-nos nas lidas diárias, nos momentos de dor para que possamos ver em cada um deles a presença amoroso de Deus providente e misericordioso. Amém! Madre Michel, rogai por nós!! Ir Cássia.

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