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Madre Teresa Michel, mulher paciente – Parte 05


Reflexão Madre Michel

A paciência é uma das mais importantes virtudes cristãs. Foi bem descrita “como sendo a face habitual da caridade, do amor, na realidade do dia-a-dia. A virtude dos fortes. A expressão perseverante de um amor construtivo”. A Sagrada Escritura nos apresenta como fonte e sustentáculo da paciência o próprio Deus, “Esperança de Israel.”

Em S. Paulo, estão geralmente unidas a esperança e a paciência. “E também nos alegramos nos sofrimentos, porque sabemos que os sofrimentos produzem a paciência; traz a aprovação de Deus, e a aprovação cria a esperança. Esta esperança não nos decepciona, porque Deus tem derramado o seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos deu” (1).

Madre Teresa Michel praticou, em grau heróico, a virtude da paciência. Seguiu as pegadas do Cristo pobre, humilhado, aniquilado, paciente. O Cristo crucificado, morto, ressuscitado!

“Deus permite estes contratempos, estas contrariedades, estas misérias, para nos conservar humildes e fazer-nos exercitar um pouco a paciência. Seja feita a sua vontade, em tudo e sempre. Amai, amai, amai e ide a ele confiantes. Só nele encontrareis consolação e paz” (2).

“Estamos em grandes tribulações. Todavia o Senhor, cada dia, faz milagres em prol destas pobres, fracas criaturas e espero continuará fazendo, para que sejamos um triunfo de sua misericórdia (3). “Quem aprendeu a sofrer, aprendeu a viver, e encontrou a felicidade sobre a terra; e tu, minha Teresa, já estás bastante adiantada, nesta escola divina”(4).

Toda a vida de Madre Teresa Michel foi um eloqüente testemunho de fé, caridade, esperança e abandono à Divina Providência, através de sua paciência no “renegar a si mesma”, “tomar a sua cruz” e “Seguir o Cristo.”

Paciência nos sofrimentos físicos: longas caminhadas a pé, privações, mortificações voluntárias, horas passadas de joelho diante do Tabernáculo, muitas vezes, subtraindo o descanso da noite. Que dizer das canseiras do dia-a-dia a serviço dos pobres? E dos últimos quatro anos de vida, suportando com edificante paciência as dores de sua enfermidade?

O Postulador da causa de sua beatificação lembrou a dolorosa experiência espiritual que marcou os inícios de sua “conversão”. “Realmente é uma experiência de morte, disse ele. A morte da semente que se prepara, na escuridão da terra, para um florescimento prenhe de energia vital.” Nos primórdios da Congregação, foi com serena paciência que aceitou o julgar-se inútil, incapaz de governar. Pensava ser mesmo um obstáculo ao desenvolvimento da Obra!

“Quantas vezes, quando mais sentia minha incapacidade, fraqueza e grande miséria, queria fugir para longe, temendo arruinar, ao invés de ajudar, a Obra do Senhor. Porém, uma força misteriosa me detém, e sigo avante, como posso, humilhando-me, por não saber fazer melhor”(5). “Deus tira da morte a vida, e jamais estamos tão perto dele, dentro mesmo de seu Coração, como quando parece que ele nos rejeita e nos abandona”(6).

“De minha parte, Padre, estou em tal estado de obscuridade; que não sei o que fazer. Rezo, sofro e estou esperando conhecer a vontade de Deus. Queria sofrer eu só. É uma cruz bem grande, e um verdadeiro martírio o que sinto” (7).

Seu coração angustiado abria-se, revelando um pouco da amargura de seu cálice, aos Diretores e pessoas mais intimas. Nota-se, no entanto, sua entrega nas mãos de Deus, sua inteira aceitação do sofrimento. Não apenas aceitação, mas descoberta do tesouro escondido na dor e grande paciência!

“…Quero participar dos sofrimentos de Cristo e me tornar como ele na sua morte, na esperança de que eu mesma seja ressuscitada da morte para a vida” (8).

Podemos afirmar, assim viveu Madre Teresa Michel. Não menores foram as dores morais por que passou. Alma nobre e delicada, de sensibilidade aguda, sofreu o abandono das amigas, as criticas. Até calúnias não lhe faltaram.

Quanto sofreu, quando lhe foi fechada a porta da Casa filial de São Paulo, que lhe pertencia por doação. A revolta de suas filhas foi doloroso espinho, que lhe cruciou o coração, muito mais do que a perda material. Paciente, longânime tudo fez para conseguir a paz. Nada conseguindo, retirou-se, com a paciência dos santos, que enxergam horizontes mais longínquos. “Retiremo-nos, pois, em boa ordem, modesta, silenciosa, humildemente. Se Deus quiser que voltemos, não lhe faltarão meios para fazer-nos voltar, e se não quiser, assim seja” (9).

Dois anos após sua morte, realizou-se a volta das Irmãs. E aquela Casa chamou-se Casa Divina Providência Madre Teresa Michel. Na verdade “se o nosso permanecer em Cristo significa também o permanecer de Cristo em nós, a paciência é a revelação da glória de Deus, e não a manifestação da força de ânimo nos homens” (10). E esta gloria se manifestou na paciente vida de Madre Teresa Michel: vida dedicada ao serviço do pobre, do velho desamparado, dos infelizes, das crianças abandonadas.

 Vida dedicada ao governo da Congregação por ela fundada com tanto sacrifício e tanta luta. “Coragem, minha boa Irmã Maria, e avante sempre! O sacrifício é a verdadeira e segura garantia do amor. Quanto mais soubermos amar em espírito e verdade, mais ele nos será substancial, mesmo que as criaturas não percebam nosso triunfo! Rezemos uma pela outra, para nos sustentar nas lutas e nas provações. E rezemos também por aqueles que, talvez inconscientes, foram a causa de nossas provações” (11).

Esta aí, bem clara, a maneira cristã de se perdoar. Perdoar como Jesus perdoou: “Eles não sabem o que fazem.” “Minha caríssima, queria saber-te mais resignada e serena, porque o sofrer e um sinal certo da predileção do Coração de Jesus, que quer suas esposas crucificadas com ele. E tu, pobre querida, tens derramado abundantes lagrimas. Por isso, deves alegrar-te. Sem estas não se pode fecundar a terra que a Divina Providência nos deu para trabalhar” (12).

Assim ensinava, porque assim vivia, assim rezava! “Adoro, também, nesta difícil situação, embora sinta, mais do que posso expressar, o sofrimento de encontrar-me só na direção da Obra e a minha absoluta incapacidade de bem governá-la” (13). Já em avançada idade, expôs-se aos perigos de longas viagens. Por seis vezes, atravessou o oceano, pisando o solo brasileiro. Regou-o com seus suores, suas lágrimas e suas orações e penitências.

Foi uma mulher paciente! E paciência é todo um viver. é comunhão com Deus e os irmãos. Bondade, tolerância, magnitude. É um morrer todos os dias, para estar ressuscitados com Cristo. É vigilante domínio das inclinações e paixões. É um esquecer-se de si, para pensar no outro.

Ser paciente não significa, em absoluto, passividade. Pelo contrário, o exemplo de Madre Teresa foi o de uma mulher dinâmica, criativa, intrépida e mesmo santamente ousada em agir, quando fazia a vontade de Deus.

É preciso ajudar a construir a cidade de Deus, na cidade dos homens, com paciente perseverança. “Esta é a sorte das Fundadoras, sofrer muito e ser muitas vezes pouco compreendidas e hostilizadas pelas próprias Irmãs. Porém, estas provas, dolorosas ao coração e ao amor-próprio, fazem-nos bem e servem para nos purificar e nos desapegar deste misero mundo, e levam-nos a colocar toda nossa confiança em Deus só e esperar só dele o conforto e a paz” (14).

Foi a sua sorte. Privilegiada por Deus, aceitou sua cruz e levou-a paciente até o Calvário. Até o encontro com seu Deus, quando fechou seus olhos para esta terra e pode contemplar o Deus Pai, Filho, Espírito Santo, “a quem amou verdadeiramente e o amou e serviu na pessoa de seus pobrezinhos.

1.   Rom 53-5.
2.   Carta, 19/ 9/1905: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
3.   Carta,31/ 5/1916: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
4.   Carta sem data: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
5.   Carta a Suor Maria: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
6.   Carta, 6/ 8/1921: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
7.   Carta, 25/’W 1921: Alla Scuola di M. ‘Teresa Michel.
8.   FIp 3,10-ll.
9.   O Espírito de M. “Teresa Michel”, IV. Jose Amato. Carta, Queluz de Minas: 4/12/1906.
10.  Cf. Dicionário de Teologia, Edições Loyola: Paciência.
11.   Carta,31/10/1924: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
12.   Carta,24/ 11/1923: Alla Scuola di M.Teresa Michel.
13.   Carta, 5/ 6/1935: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
14.   Carta, 26/ 6/1938: Alla Scuola di M. Teresa Michel.

“A Paciência é virtude dos fortes, daqueles que confiam no Senhor e nele depositam toda esperança. Quem espera é paciente e se consola com a vontade de Deus e espera confiante o tempo de Deus. Madre Michel, mulher paciente, é modelo para nós de quem pacientemente espera pela hora de Deus e já na certeza de que Ele fará tudo para nosso bem. Ir Cássia”

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