Beata Teresa Michel Artigos > Reflexão – Madre Michel

Madre Teresa Michel, mulher de caridade – Parte 06


Reflexão Madre Michel

“Se a vida cristã não é outra coisa senão a continuação da vida de Cristo nos cristãos, a nossa caridade não é só a imitação da caridade de Cristo; é mais profundamente a participação nesta caridade e o seu prolongamento. O próprio Cristo continua a amar em nós e por nós”(1).

O verdadeiro amor só é possível como participação no amor de Deus. é o ágape, um dom de Deus. Inclinação produzida no homem pelo próprio Espírito Santo. É a essência do Cristianismo. Pela graça, comunicação permanente com o Espírito Santo, o homem se deixa plenificar do amor de Deus.

A iniciativa é sempre de Deus, porém, o homem é livre de cooperar ou não. O ágape, o amor é, portanto: plenitude e unidade na liberdade. Doação e realização da pessoa: amor a Deus, amor ao outro, amor a si mesmo. Todas as virtudes estão inseridas no amor. Ele e o principio gerador da vida (2). Madre Teresa Michel, desde pequena, foi-se enveredando nos caminhos do amor, da caridade. Conservou-se aberta à ação misteriosa do Espírito Santo e foi descobrindo a grandeza do amor, o sentido de Deus, que é amor.

Viveu e ensinou o amor, a caridade. “Estas filhas, que o Divino Amor me quer dar, não tem necessidade senão de amor. Com o amor terei todas as virtudes de que preciso e ainda não possuo. Com o amor, terei força para todos os sacrifícios, pois o amor só se compreende com o sacrifício da gente. É necessário sair de mim mesma para perder-me no amor. No amor encontrarei luz, calor, ciência, paz, felicidade” (3).

“É necessário que se veja que ainda existe a virtude sobre a Terra e que há um amor que o mundo não conhece, e ao qual unicamente cabe o nome de amor. É mais forte que a morte. Só ele pode dar força para se vencer o egoísmo e fazer os maiores sacrifícios” (4). Na realidade, o amor sublima e aperfeiçoa todas as virtudes, como já o afirmava S. Paulo, na belíssima carta aos Coríntios e a nos. É o essencial!

“Posso falar as línguas dos homens e dos anjos, mas se não tiver amor, o que falo será como o barulho do gonzo ou o som do sino. Posso ter o dom de anunciar mensagens inspiradas, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos, e ter toda a fé necessária para tirar as montanhas dos lugares; mas se não tiver amor, eu não serei nada” (5).

Madre Teresa Michel fez de sua vida uma encarnação do amor. Pode testemunhar, de si mesma, estar seu espírito em intima comunhão com seu Deus e Senhor, através de Jesus Cristo, Amor provado no cadinho das tribulações de toda espécie. Amor forte como a morte.

“À medida que se avança na vida, vê-se a necessidade de sofrer e quase desejar o sofrimento, porque, com a experiência, compreende-se que a dor é o que mais nos aproxima de Deus e é a única prova que podemos dar-lhe de nosso amor” (6).

“É aniversário de nossa (primeira) tomada de hábito. Trinta e sete anos são passados. Quantos acontecimentos mais tristes que alegres, neste longo período!

“Agora, encontro-me ao término de minha peregrinação, com o espírito pleno de amor e de reconhecimento para com o Senhor, tão misericordioso para comigo. Tomou-me pela mão e, de olhos fechados, tenho sido conduzida e, apesar de minhas resistências, tem-me feito percorrer essa longa estrada, sem saber por onde andava, confiada somente em seu paterno Coração” (7).

Na contemplação constante da vida e dos ensinamentos de Cristo, aprendeu, ela também, a expressar seu amor no cumprimento absoluto da vontade de Deus. ”Minha comida — disse Jesus — é fazer a vontade daquele que me mandou e terminar o trabalho que me deu para fazer” (8). “Ó Padre, quanta necessidade tenho de suas orações para poder conhecer, claramente, a vontade do Senhor e ter força para cumpri-la. Ainda tenho muito que vencer a mim mesma. Sou má, preguiçosa, ingrata e ainda amo tão pouco aquele Jesus a quem deveria amar tanto, havendo começado tão tarde a amá-lo” (9).

Seu amor levou-a a procurar sempre o mais agradável a Deus, o mais perfeito em tudo. Era fidelíssima em evitar as menores faltas. Renunciava a tudo que a impedisse de permanecer em comunhão com seu Deus. Qualquer sacrifício era pequeno, quando se tratava da vontade de Deus. As lições de Cristo sobre o amor eram objetivos de suas reflexões constantes. E seu desejo, levar sua mensagem ao mundo inteiro.

“O meu amor por vocês é como o amor do Pai por mim. Continuem, pois, no meu amor. Se vocês obedecerem os meus mandamentos, continuarão no meu amor, assim como eu obedeço aos mandamentos de meu Pai e continuo no seu amor” (10).

Deus, hábil e intransigente agricultor, vai podando e tornando fecundo seu amor no coração dos homens, à medida em que eles vão se abrindo a ação do Espírito Santo. É através da cruz que se efetua esta purificação do amor.

“Nada me disseste sobre tuas penas, eu, porém, mais ou menos, as imagino. Quando, como tu, se chega “as alturas”, todas as cousas terrenas nos causam tédio e sofre-se daquele mal inexplicável que é a nostalgia do Céu. Mal secreto e desconhecido dos demais e que faz sofrer em proporção da força do amor que arde no coração de quem sofre” (11).

A dor liberta o coração das amarras do prazer, do engano do amor próprio. Desprende-o do sentimentalismo. Torna-o gratuito. “É um mistério, mas é assim. A dor purifica o amor; torna-o verdadeiro, autêntico, puro; elimina tudo que não é amor” (12).

“Todas, mais ou menos, estamos debaixo da prensa, mas se a Deus agradar, passará também esta prova e dela sairemos mais fortes, purificadas e prontas para servir o Senhor, como mais lhe agradar” (13).

Madre Teresa Michel palmilhou os caminhos estreitos, íngremes, áridos e batidos que levam ao amor gratuito de Deus e do irmão.

“À medida que se nos aproxima o fim, as cruzes crescem e se tornam mais pesadas. Tenho necessidade de um auxilio extraordinário do Senhor para não me desanimar e ainda ir para frente. Reza também tu por mim, para que possa conhecer a vontade de Deus e cumpri-la com generosidade e sempre com amor” (14).

Pela fé, Madre Teresa Michel via Cristo em seus membros sofredores, por mais miseráveis que fossem. Os mais infelizes e desprezados eram seus preferidos. Com respeito, carinho e amor, os acolhia, chegando mesmo a beijar-lhes a face coberta de feridas. Todos seremos julgados pela caridade, pelo amor.

“Então o Rei dirá: Venham vocês que são abençoados por meu Pai. Pois eu estava com fome e vocês me deram comida. Estava nu e me vestiram. Doente e cuidaram de mim. Eu afirmo que de fato quando vocês fizeram isto ao mais humilde de meus irmãos, fizeram a mim” (15).

Desde pequena, em suas estadas na Cavallarota, residência de campo da família, onde nasceu, gostava de percorrer as campinas e prados. Levava então um livro de piedade eia distribuindo entre os colonos, as lindas mensagens, escolhidas previamente. E aqueles homens ouviam-nas admirados e atentos.

Levava saborosas guloseimas e se dirigia a casa do jardineiro, trocando-as por uma fatia de polenta. Engenhosa maneira de fazer a caridade! Na fazenda de seus avós maternos, visitava os colonos, dispensando bondade e estima para com seus filhos. Nunca omitia a visita a uma paralítica, que fora empregada de sua família. Confortava-a e levava-lhe delicados mimos.

Eram os primeiros lampejos da grande caridade que seria a característica de sua vida futura: o grande amor ao próximo. Jovem, ao lado da mãe, continuou a missão de fazer o bem, que sempre distinguiu as famílias Grillo e Parvopassu. Casada, acolheu com bondade aos que batiam a sua porta. Aos criados dispensava estima e muita compreensão.

Mas, foi a partir de sua viuvez, que a vida de Teresa Michel se transformou em vida inteira consagrada a caridade para com os pobres e sofredores. “Que Nosso Senhor vos abençoe a todas! Conceda-vos tanta paciência e caridade e grande amor para com ele, que possais logo, tornar-vos santas” (16). Sua grande caridade, levou-a a organizar o Pequeno Abrigo, de que já falamos. E finalmente, uma Congregação destinada a continuar a grande missão de amor entre os mais necessitados.

Deus o queria. “A obra é de Deus (17), confiemos nela”, repetiu, inúmeras vezes, em suas cartas. Amou as crianças, aos velhinhos, aos doentes, aos pobres e envergonhados a quem ajudava discretamente. Cooperando com o amor de Deus, conseguiu atingir aquele amor purificado, que vai ao ser da pessoa e não leva em conta qualidade, nem defeitos. Era o próprio Cristo que amava nela.

Impressionante a ternura daquele olhar! A bondade daquele coração imenso! A humildade e dignidade daquela presença! O grande benfeitor da Obra Michelina, Senador Teresio Borsalino, rende-se à caridade, impressionado pela presença santa da “Senhora Madre” como a chamavam.

Subia aos tugúrios, descia aos porões, descobrindo os pobres doentes abandonados. A todos levava, não somente o auxilio material, quanto a riqueza de sua palavra amiga. Servia-se de suas antigas relações sociais, para arranjar empregos, promover os pobres.

Também as prisões de Alessandria foram alvos de sua caridade. Qual outro S. João, era o seu estribilho: Amai! Amai! “É necessário que aprendas a ser forte, mesmo tendo um sensibilíssimo coração, e a praticar sempre a caridade para com todos, pois a caridade deve animar todas as nossas ações e ser o motor de todo nosso agir”.

1.  “Encontrar o Cristo”, Gaston Salet SJ.
2.   Cf. Dicionário teologia, Edições Loyola: Amor,
3.  &Carta, 23/ 5/1921: Alla Scuola di M.Teresa Michel.
4.   “Vida de M. Teresa Michel”. Mons. Carlos Torriani.
5.   1 Cor 13,1-21.
6.   Articoli per Il Processo Informativo di Beatificazioni e canonizzazione di M.T. Michel.
7.   Carta, 8/1/1936: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
8.   Jo 4,34.
9.   Carta 18/07/1.898: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
10.   Jo 15, 9-10.
11.   Carta sem data: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
12.   “Lettere dal Deserto”, Carlo Carreto.
13.   Carta, 23/ 12/ 1905: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
14.   Carta, 14/ 10/ 1924: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
15.   Mt 25,35-36.40.
16.   Carta, 26/ 6/ 1899: “O Espírito di Madre T. Michel, Pe. José Amato.
17.   Carta a Suor Teresa, 14/1 /1922: Alla Scuola di M. Teresa Michel.

Numa de suas cartas e também neste escrito de Ir Violeta, Madre Michel diz: “com o amor terei todas as virtudes necessárias…, com o amor, terei a força de transpor os obstáculos…, com o amor, serei capaz de qualquer sacrifício…”Que a Beata Teresa Michel seja para nós a força e o exemplo, a testemunha de amor radical que tudo faz pelo bem dos outros, que não pensa em si e que é capaz de tudo. Que o nosso amor seja tão grande quanto o dela! Ir Cássia

Copyright © 2015 - Colégio Sagrado Coração de Jesus. Todos os direitos reservados.