Beata Teresa Michel Artigos > Reflexão – Madre Michel

Madre Teresa Michel, Mulher De Oração – Parte 07


Reflexão Madre Michel

“O grau de nossa fé é o grau de nossa oração; a força de nossa esperança e a força de nossa oração, o calor de nossa caridade é o calor de nossa oração”(1).

Pela fé, dom do Espírito, o homem consegue libertar-se das amarras do egoísmo. E Cristo vivera em seu coração. Assim enraizado e alicerçado no amor, compreendera toda a dimensão do amor de Cristo por nós. Então, ficara repleto do próprio Deus(2). A oração é um diálogo filial com Deus Pai, atingido através de Cristo.

É entrar em comunhão com ele. Adorar, louvar, agradecer, suplicar. E ouvir e amar. É buscar a Deus com um coração aberto, disponível. É ação do Espírito Santo em nós: “O Espírito de Deus vem para nos ajudar em nossa fraqueza. Porque não sabemos como devemos orar. O Espírito de Deus, age com gemidos que as palavras não podem explicar, pede a Deus em nosso favor”(3).

É descobrir Deus: Pai, amigo. É encontrar-se com Deus: infinita bondade e infinita misericórdia. É comungar Deus: amor. É comprometer-se com ele. É transformar-se em “dom”. Madre Teresa Michel foi mulher de oração, contemplativa, comprometida com seu Deus.

“Nós com o silêncio, a oração, a humilhação, fazemos muito mais do que se nos defendêssemos com as mais belas palavras. O que sei é que quero amá-lo, servi-lo, reparar o quanto posso, e esta e a única graça que lhe peço, para mim. e para as que me deu por Filhas”(4).

“É necessário força moral e física para levar bem a cruz: do contrário, ficamos esmagados e nada fazemos, nem para nós, nem para os outros. Com a paciência e a oração tudo se vence, e venceremos também a nós mesmas, e seremos unidas, em um só ideal de fé e de caridade”(5).

Podemos afirmar: Madre Teresa Michel foi grande em sua fé, magnífica no esperar e abandonar-se a seu Deus, ardente na caridade e no amor, constante em sua união com Deus, admirável na simplicidade e confiança de sua oração!

“Eu rezarei muito por vós. A oração é onipotente, quando parte de uma pobre mãe que ama suas filhas, e que não tem outro desejo senão vê-las santas. Estou estes dias, aqui recolhida neste santo retiro, preparando-me para o que o Senhor quiser. Choro e rezo. É a festa da Senhora das Dores e ela quer que também nós choremos um pouco com ela” (6).

Não apenas nas dores e fracassos, também nas alegrias e vitórias, volta-se para Deus. Adorava seus desígnios e pedia forças. Levantava-se da oração tranqüila, confiante, levando a paz que irradiava do seu sorriso e de seus olhos.

“Quando o projeto fundamental da vida de uma pessoa consiste em colocar Deus no centro da existência, como o ser ao qual tudo se refere, pode-se dizer com verdade, que a vida toda dessa pessoa se converte em oração”(7). Podemos afirmar que assim viveu Madre Teresa Michel, a partir de sua “conversão”. Descobria Deus presente em cada instante. Os acontecimentos, os trabalhos, as alegrias, tudo lhe trazia Deus. O seguinte trecho de uma de suas súplicas a Jesus Sacramentado, por ela escrita, mostra-nos como vivia em comunhão com Deus:

“Que todas compreendamos que não viemos para ser servidas, mas para servir os teus pobrezinhos. Toma nossas mãos e torna-as dispensadoras de tuas esmolas; os nossos pés, para que não venham a parar no caminho do sacrifício; os nossos lábios, a fim de que deixem cair, nos corações aflitos, palavras alegres que os aliviem, sorrisos amorosos que ajudem aos enfermos; os nossos olhos, para que chorem com os que sofrem e, muito mais, chorem diante do pecado”(8).

“Deus só, não procuro senão a ele”, repetia em suas cartas. “Procurai sempre que todas as vossas ações sejam oferecidas a Deus, para sua maior glória”(9).

Grande graça viver nesta atitude permanente de oração. É a contemplação na caminhada, tão bem vivida por Madre Teresa. Todavia ela compreendeu que todos necessitam também de “tempos fortes de oração.” É no silêncio, no recolhimento que se ouve melhor a voz de Deus. Que se torna mais aberto e disponível para a ação do Espírito Santo. Que se dá tempo, oportunidade ao Espírito Santo para agir em nós.

A cada passo somos solicitados a dizer o “sim” aos apelos divinos. São os tempos fortes de oração que nos ajudam a discernir a vontade de Deus. Madre Teresa praticou, com freqüência, e mesmo diariamente esta oração. Iniciava a luta do dia-a-dia, com longa oração diante do Tabernáculo. Para isto, era a primeira a se levantar, pela manha.

O rosto entre as mãos, com suspiros e lagrimas implorava perdão e misericórdia pelos pecados dos homens. Proteção da Divina Providência para suas filhas, sua Congregação, para a Igreja. Luz, nas diversas necessidades da Congregação. Mais de uma vez, afirmou seu desejo de viver uma vida só de oração: “Creio, na verdade, que, se me retirasse, com as que se sentem inclinadas a uma vida mais escondida e de oração, poderia fazer muito mais para mim e para as próprias Irmãs”{10).

Levantava-se, à noite, para esses colóquios íntimos com seu Deus, quando os afazeres do dia lhos impediam. Antes de fundar a Congregação, viajava à procura de auxílio, para sustentar seus numerosos abrigados. Mais de uma vez foi reconhecida, por seu profundo espírito de oração: — “Rezou a noite inteira? Então e a senhora Michel de Alessandria”(11).

Nas primeiras Constituições, aprovadas em 28 de março de 1901, pelo Bispo D. José Capecci, ela assim fala às Irmãs:

“Como a profissão religiosa vos chama a rezar muitas orações vocais deveis tê-las em grande estima, pois que Jesus Cristo, com muita freqüência rezou e nos inculcou rezássemos, vocalmente, em particular quando ensinou aos Apóstolos o Pai-Nosso. Ele também cantou os louvores do Pai Celeste e com ele cantamos Anjos e Santos no Céu. O Espírito Santo que governa a Igreja, faz que rezem vocalmente os fieis em toda a terra e que cantem os louvores de Deus ” (12).

Porque é o Espírito que reza em nós “as nossas orações do tempo produzem fruto de eternidade”(13). Foi grande sua devoção a Eucaristia, Deus conosco.

“Queria ter uma família mais consagrada ao sacrifício e à oração com a Adoração ao SS. Sacramento, e me parece que Jesus o quer e está preparando algo. Mas, tu sabes quanto o inimigo de todo o bem combate estas coisas, por isso se requer uma grande força de oração para obtê-Ia. Ajuda-me também tu! Em Alessandria, ainda não ha nenhuma Igreja com adoração perpetua, e, parece-me, seria um grande pára-raios para a cidade e para a nossa Obra que, sem oração, não pode sustentar-se”(14).’

Desde seus tempos colegiais, participava da Eucaristia com muita fé, devoção e amor. Na primeira Constituição convidava as Irmãs a fazerem da manhã, horas de ação de graças pelo dom recebido e da tarde, horas de preparação para o encontro eucarístico da manhã seguinte. Em sua correspondência com as Irmãs, são constantes os apelos a uma vida mais eucarística.

A Maria, especialmente sob o titulo de Nossa Senhora della Salve, a Virgem das Dores, dedicou filial devoção. A ela entregou sua Congregação. No I Capitulo Geral da Congregação, realizado em junho de 1936, todas as cédulas contendo o voto para a Madre Geral, traziam o nome de Madre Teresa Michel, exceto uma onde se lia “Madonna della Salve” (15). Era o seu. A esta boa Mãe entregou a Congregação.

Visitava, sempre que podia, os diversos Santuários dedicados a Nossa Senhora, ali passando horas em humilde oração. O Santo Rosário, meditado com fervor, fez parte de sua vida de piedade e deixou as Irmãs um incentivo e mesmo um ponto nas Constituições. Seu amor a Virgem nada tinha de sentimentalismo. Pelo contrario, revestia-se de madura reflexão sobre suas virtudes e estimulo para uma vida santa.

“Padre, hoje é dia de Nossa Senhora: a festa da Anunciação e a de suas dores. Quero fazer alguma coisa para honrar esta boa mãe. Quero começar uma vida nova, toda consagrada a servi-la, honrá-la, amá-la. Quero dar-lhe Filhas real e inteiramente suas, escravas suas, para poder ser inteiramente de Jesus. Unamo-nos todas, no santo nome de Deus, e teremos mais forca para caminhar.

Sob o estandarte de Maria, havemos de combater, trabalhar e vencer, espero, não tendo senão um único desejo: o restabelecimento do reino de Jesus Cristo em nossos corações e no coração de todos os homens. Oh! Que Jesus Cristo reine, e reine como Soberano absoluto. Maria, escolhida por Deus para ser nossa especialíssima protetora, neste ano de seu jubileu (50° das Aparições de Lourdes) deve mostrar-se verdadeiramente nossa Mãe, Mãe de misericórdia e de amor. Como faremos, sem ela, para nos aproximar de seu Divino Filho” (16)?

Nas horas amargas e difíceis, recorria imediato a Jesus e Maria. Sua confiança nunca foi desmentida. Era uma confiança humilde, filial, isenta de egoísmo. Só uma coisa tinha em mente: que se fizesse a vontade de Deus!

“No meio destas terríveis borrascas, meu espírito esta em paz e agarrado fortemente à única âncora de salvação: o Coração Sacratíssimo de Jesus e o Coração Misericordiosíssimo de nossa querida Nossa Senhora. Esta cara Mãe me tem feito tantas graças e há de querer abandonar-me, agora, que embora indigna, não tenha outro desejo senão servi-la e amá-la” (17)?

Maria foi a estrela que iluminou as trevas de sua viuvez. Curou-a e restituiu-lhe a alegria de viver. Trouxe-lhe a misteriosa mensagem: “Tu te deves tornar mãe de muita gente pobre” e a assistiu na consecução deste ideal de caridade.

“Deveis amar os Santos, porque Deus os ama e porque eles amam tanto a Deus. Sobre a terra, com seu amor a Deus, honraram e consagraram a vida presente; santificaram os caminhos e purificaram os espaços terrestres. Santificaram a terra com seu sangue e suas fadigas. No meio de tantas culpas, repararam a Justiça Divina. Imitaram Jesus Cristo, nos sofrimentos e nas humilhações. Imitai-os em suas virtudes e continuai sua obra” (18). Prolonguemos sua obra, imitemos seu espírito de oração.

“Cristo é o único Mestre e seu magistério exerce-se em nós pelo Espírito” (19). A exemplo de nossa Fundadora, freqüentemos, assíduas, esta Escola e demos tempo ao Espírito Santo para agir em nós. Na verdade, podemos também aqui repetir: assim viveu Madre

Teresa Michel, mulher de oração. Na oração descobriu e passou a viver:

*  O abandono ao Pai.
*  A fraternidade. Somos todos irmãos.
*  A esperança, pelos dons de Deus.
*  A entrega de si mesma como um dom para o serviço dos irmãos e para a dilatação do Reino de Deus.
*  A intimidade com Cristo, Deus que se fez um de nós.
*  A contemplação na caminhada.

“Ao passar dos anos, posso dizer tornou-se sempre mais clara a certeza de que, ao rezar, não se perde o próprio tempo; de que não existe forma mais adaptada para ajudar aos que amamos”(20).Sua devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi muito acentuada. Incentivava a Comunhão reparadora, o Oferecimento diário do Apostolado da Oração, práticas especiais de devoção durante o mês de junho etc. Em suas cartas, muitas vezes, demonstrava este amor confiante ao Coração Misericordioso de Jesus.

“O Santíssimo Coração de Jesus a quem me consagrei há tempos e esta Obra que é” Sua, triunfarão de todos os obstáculos, que o inimigo vai multiplicando por todos os lados”(21).

“Estamos fazendo a novena ao Sagrado Coração de Jesus, e, deste Coração Divino, a quem confiei todos, e, de quem tudo espero, aguardo o socorro e auxílio de que tanto necessito!… Rezo confiante que Ele a tudo providenciara”(22).

“Querida, que te direi de mim?… Estou velha e cansada, e a Pequena Obra ainda tem tantas necessidades! …Mas o Sagrado Coração de Jesus, que a quis, há de sustentá-la, aperfeiçoando-a, espero, com pessoas mais santas do que nós”(23).

1.    “Lettere dal Deserto”, Carlo Carretto.
2.    Ef 3,17-19.
3.   Rom 8, 26.
4.   Carta a Suor Agnese, 14/12/1906: Alla Scuola di M. Teresa Michel.
5.   Carta, 22/7/1932: Alla Scuola di M. T. Michel.
6.   Carta, 30/9/1901: Alla Scuola di M. T. Michel.
7.   “Vida Segurndo o Espírito”, Doc. da CLAR,N5 9.
8.   Oração de M. Teresa: Alla Scuola di M. T. Michel.
9.   Primeira Constituição por ela escrita.
10.   Carta, 10/3/1924: Alla Scuola di M. T. Michel.
11.   “O Espírito de M. T. Michel”, Pe. Jose Amato.
12.   Primeira Constituição das P. Irmãs da Divina Providência.
13.   Rahner. “Les Prières de L’Homme Moderne”.
14.   Carta, 10/10/1924: Alla Scuola di M. T. Michel.
15.   “O Espírito de M. Teresa Michel”, Pe. Jose Amato.
16.   Carta, 25/3/1.904: Alla Scuola di M.T. Michel.
17.   Carla, sem data: Alla scuola di M.T. Michel.
18.   Primeira Constituição.
19.   Santo Agostinho.
20.   “Lettere dal Deserto”, C Carretto.
21.   Carta aos Diretores espirituais (s.d.) O.c.
22.   Carta aos Diretores espirituais (05/06/1899) O.c.
23.   Carta às Irmãs (31/07/1937) O.c.

A oração é encontro com Deus, é estar em colóquio com o amado, sobretudo para ouvi-lo. Quem ama, quem tem fé e quem espera, não vive sem oração, sem se colocar diante de Deus e rezar, pedir, agradecer, louvar e bendizer suas maravilhas. Quem ama busca o amado mais que tudo e sempre encontra tempo para estar com ele. Assim foi a vida de Madre Michel e deve ser a nossa vida. Quem ama a Deus deve procurar estar com ele na oração e ouvi-lo. Que Madre Michel nos ensine a ser pessoas de oração. Ir Cássia

Copyright © 2015 - Colégio Sagrado Coração de Jesus. Todos os direitos reservados.