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Madre Teresa Michel, Mulher Carismática – Parte 09


Reflexão Madre Michel

“O carisma dos fundadores é uma resposta histórica, um “tomar vida” à proposta de Deus, face à situação de crise e às manifestações do Espírito no mundo. Por isso insere-se na história da salvação e ultrapassa a época em que nasce” (1).

Maravilhadas com a ação do Espírito Santo em nossa Fundadora, cabe-nos importante missão: discernir, à luz do Espírito, a maneira “válida hoje” de prolongá-la, para que seja fermento, na construção do Reino. Conscientes dessa responsabilidade, nós, Pequenas Irmãs da Divina Providência, através de muita oração e reflexão, vamos tentando descobrir em nossa vida o que e permanente, “ultrapassando a época em que nasceu”.

E  vamos concluindo que foi a estrada percorrida por Cristo. A estrada da pobreza e pequenez. A estrada do amor e do serviço ao irmão. A estrada da renuncia e dos sofrimentos. A estrada do testemunho e da esperança. A estrada da intimidade com o Pai e da oração. A estrada do abandono filial ao Pai, numa adesão inteira e total à sua vontade.

Cumpre-nos seguir essa estrada, mas com “a ousadia e a coragem para o novo, porque o Espírito é aquele que não se repete. Pela renovação, conserva-se o carisma e mantém-se a fidelidade à tradição” (2).

“E quando o bom Deus me chamar, tende a certeza de que, com mais ternura, continuarei a pedir para vós a abundância do espírito que deve distinguir a Pequena Irmã da Divina Providência: espírito de confiança realmente heróica nesta admirável emanação da Bondade Divina. Nada há para se temer, como nada temeram Maria e José, quando foram a Belém, para o recenseamento. Mas, é necessário que se esforcem para imitar seu exemplo de abandono heróico à tutela do Eterno” (3).

“Para sermos Pequenas Irmãs desta Providência, não basta, minhas filhas, trazer-lhe o nome. É necessário ser pequena diante de Deus, reconhecendo a nossa incapacidade para fazer qualquer bem, sem o seu auxilio celeste. É necessário saber considerar uma alegria, a vida oculta; uma honra, o sacrifício; um ideal de vida, a caridade” (4).

“A nossa regra, minha filha, é esta: ir com santa indiferença, onde a Divina Providência nos chama e mostra que nos quer, mesmo materialmente, por meio dos Superiores ou por meio de um auxilio, ainda que material. Não devemos fixar o país, ou pelo menos, devemos estar prontas a trocá-lo, conforme a obediência. Assim não se deve temer, porque o Senhor nos ajudará, ainda que fosse necessário um milagre. Estejamos, pois, santamente livres e desapegadas de todos e de tudo, para poder cumprir realmente, a vontade de Deus” (5).

Esta vida de abandono total à tutela do Eterno só foi possível a Madre Teresa, porque tinha uma grande fé, uma inabalável esperança, um amor a toda prova e uma profunda vida de oração. Não e fácil ao homem cético de nossos dias descobrir a grandeza desse mistério. É preciso, como fez Madre Teresa Michel, no conhecimento e aceitação da própria incapacidade, no aniquilamento do egoísmo, descobrir o Cristo, Deus dos impossíveis. Descobrir, na oração humilde e confiante, a mensagem evangélica da Bondade do Pai que esta no Céu.

É preciso suplicar ao Espírito que abra nossa mente e nosso coração para compreendermos a lição de Cristo. Respondendo ao pedido dos Apóstolos: “Mestre, ensinai-nos a orar”, Jesus assim falou: “O Pai já sabe o que vocês precisam, antes de pedirem. Portanto, rezem assim:

Pai nosso que estás no céu. Que todos reconheçam que o teu nome é santo. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, também na terra, como é feita no céu” (6).
E em outra ocasião: “Ponham primeiro o Reino de Deus em suas vidas, e ele dará todas essas coisas a vocês (7).

Podemos acrescentar também aqui: Assim viveu e assim rezava Madre Teresa Michel. Dai a sua entrega incondicional a Divina Providencia. Recebeu do Espírito Santo, este carisma. E sua vida foi um testemunho vivo desse abandono filial a Deus, num mundo repleto de desespero, de fatalismo e determinismo.

Que nos pede, hoje, este abandonar-se à Providência Divina? Descobrir como viver em maior fraternidade e partilha dos dons recebidos? Ser mensageiras de esperança pelo testemunho de mais otimismo? Pela palavra e pela ação? Transformar a própria vida “em dom”? Dom para Deus e para os irmãos?

Ser disponível é um grande passo. Ser dom e ter vencido a caminhada. Mas, esta descoberta será o fruto de nossa oração. De uma oração verdadeiramente oração.

“O melhor modo de conservar o carisma não é repetir suas concretizações passadas, por mais veneráveis que sejam, mas vivê-lo com radicalidade, dar-lhe formas novas, que melhor respondam ao nosso tempo, que é também, tempo do Espírito” (8).

Fazer o que faria, hoje, a grande Serva de Deus Madre Teresa Michel: colocar nossa vida e a vida de nossa Congregação na trajetória dos planos de Deus. Assim, estamos compreendendo e prolongando nossa Fundadora e Mestra, tornando-a “fermento e não peça de museu.”

“Mas, a tua Providência, ó Pai, é que tudo governa; porque tu, até no mar, abriste caminho. Desta sorte, nos primeiros tempos, quando pereceram os soberbos gigantes, refugiando-se a esperança de toda a terra, numa barca, esta conservou para o mundo, a semente das novas gerações, graças à tua mão que a governava”


1.   Documento da CLAR, N° 9.
2.   Documento da CLAR, N° 9.
3.   Carta, 1°/12/1937, “O Espírito de Madre Teresa Michel”, Pe. José Amato.
4.   “Vida de M. Teresa Michel”, Mons. C. Torriani.
5.   Carta, 15/5/1900: Alla Scuola di Madre T. Michel.
6.   Mt 6, 8-10.
7.   Lc 12, 31.
8.   Documento da CLAR, N° 9.

Cada pessoa possui um carisma particular, um dom dado por Deus. Carisma é presente, é dom de Deus. Madre Michel foi uma mulher carismática, que se abriu à luz de Deus e dele bebeu toda sua riqueza e a derramou sobre as pessoas que dela se aproximavam. Ela seja nossa força para vivermos com fidelidade o nosso carisma. Ir Cássia

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