Beata Teresa Michel Artigos > Reflexão – Madre Michel

Madre Teresa Michel Mulher Bem-Aventurada – Parte 10


Reflexão Madre Michel

Maravilhada ao ouvir as palavras de Jesus,… “Uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os seios que te amamentaram!” Mas Jesus replicou: “Antes, bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam.” (1)

Eis o grande elogio de Jesus à sua Mãe Santíssima. Ela, a Senhora do Sim, era bem-aventurada, principalmente, porque ouvia a Palavra de Deus e a praticava. A exemplo de Jesus, “seu alimento era fazer a vontade do Pai.” (2)

Podemos também afirmar: Madre Teresa Michel foi uma Mulher bem-aventurada, pois, a norma constante de sua vida — foi conhecer a vontade de Deus, a seu respeito, e cumpri-la com amor!

“Não tenho senão um desejo: amar e servir ao Senhor, com toda a alma, com todas as minhas débeis forças. Somente lhe peco a caridade de rezar para que eu tenha a força necessária para realizar a sua Santa Vontade, em tudo, a qualquer preço…” (3)

“À medida que se aproxima nosso fim, as cruzes crescem e se tornam mais pesadas. Tenho necessidade de um auxilio extraordinário do Senhor para não desfalecer e assim ir para diante. Reza também tu por mim, para que eu possa conhecer a sua vontade e cumpri-la com generosidade e sempre com amor…” (4)

Madre Teresa Michel soube preparar seu coração e todo o seu ser, para receber, compreender e viver as lições do Sermão da Montanha sintetizados nas bem-aventuranças.

Deus nos criou para a felicidade. À medida que nos despertarmos para o verdadeiro amor a Deus e aos irmãos desabrocha em nós o estado de felicidade, de bem-aventurança.

“Quando fazemos a vontade de Deus, temos paz e felicidade, mesmo em meio às tribulações… Coragem, pois! E “Sursum Corda” (5)

São palavras escritas nos primórdios da Congregação, quando as lutas eram grandes, mas Teresa Michel praticava e ensinava as suas filhas, as lições evangélicas.

“As bem-aventuranças estão no cerne da pregação de Jesus. Traçam a imagem de Cristo, expressam a vocação dos fiéis, iluminam a vida cristã. São inauguradas na vida da Virgem Maria.” (5)

Iluminada pelo Espírito Santo, Madre Teresa Michel descobriu estas riquezas espirituais. Legou-nos, através de sua numerosa correspondência e de sua vida, um manancial de exemplos e incentivos, que devem ser conhecidos, aprofundados e vividos.

Para viver as bem-aventuranças precisamos:

a)     Através de seus escritos, vamos compreender melhor o carisma original que nos deve identificar como Pequena Irmã da Divina Providência. Vamos também descobrindo o sabor das lições Evangélicas contidas nas bem-aventuranças, tão bem vividas por nossa Fundadora.

b)    Para viver as bem-aventuranças precisamos dos dons do Espírito Santo, dom que dele recebemos gratuitamente. Por elas, participamos da Vida Divina.

As bem-aventuranças são notas do Canto que os filhos de Deus fazem subir para o Pai, com Cristo, animados pelo Espírito e seus dons. (7)

“Caminhemos sem temor pela senda que nos traçou a Divina Providencia, tomando, dia por dia, momento por momento, os acontecimentos que se sucedem e que nos manifestam a vontade de Deus… dando-lhe, sempre e em tudo, o primeiro lugar, conforme lhe pertence… (7)

“Instintivamente tenho medo de que nos afastemos do caminho simples e providencial, traçado por Deus, para nossa Pequena Obra, e, de modo especial, temo a intromissão estranha que possa prejudicar o espírito da fundação. Deste modo, procuro somente assegurar-me não fazer coisa alguma contrária à vontade de Deus”. (9)

É pelos dons do Espírito Santo que as bem-aventuranças Evangélicas desabrocham em nós. Criam e renovam o estado de filhos de Deus. Empenhada no seguimento de Cristo, Madre Teresa Michel cultivou os dons recebidos, através de seu grande amor pelos irmãos. Viveu em grau eminente as exigências das bem-aventuranças e, por isso podemos chamá-la Mulher Bem-aventurada!

“Quanto menos auxílios humanos recebemos, mais o Senhor faz por nós. Que posso fazer eu, pobre, mesquinha, ignorante criatura? Porém, não posso fugir à convicção de que como Ele fez no passado, quando nele somente coloquei minha confiança, faz no presente e o fará no futuro. Rezo e espero confiante o seu divino auxílio pedindo-lhe destruir-me, mil vezes, antes que eu faça a minha vontade e não a sua, também quando nos prova…” (10)

Que piedade filial em suas palavras! Que coragem de pobre! Quanta humildade e reconhecimento da própria fraqueza. Ao mesmo tempo, quanta paz!

E vamos descobrindo ainda suas palavras: fortaleza e mansidão. “Mesmo quando Deus nos prova e até nos ‘bastone’, nos fere, nele devemos confiar e dele tudo esperar”.

“As bem-aventuranças nos revelam a verdadeira fisionomia de Cristo. Seus critérios, suas atitudes, seus amores.

Revelam-nos como Deus é e não apenas como o homem deve ser. Como é o Reino de Deus e não apenas o que o homem tem que fazer para entrar neste Reino.

São Lucas nos mostra quem é bem-aventurado para Cristo e seu Reino. São Mateus, como se consegue ser bem-aventurado, assinalando as condições para o seguimento de Jesus e a participação de seu Reino. (11)

E vamos refletindo de que forma foi o assentimento de Madre Teresa Michel as bem-aventuranças? Que lições nos legou? Que desejava de nós, suas filhas espirituais, chamadas por Deus para continuar sua “Obra de Caridade”, prolongar seu carisma? “Cada bem-aventurança representa uma exigência que é o caminho traçado por Jesus para seus discípulos, a fim de participarem do Reino, já aqui, agora; tornarem-se seus seguidores e assim alcançar a verdadeira felicidade”. (12)

Vejamos as bem-aventuranças, segundo São Mateus.

1° -  a)   “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”!

        b)    “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra”! (13)

“Na linguagem bíblica, “manso” quer dizer “pobre em espírito” e também “pobre de lahweh”, atitude espiritual do “pequeno resto de Israel, cujo modelo mais perfeito foi Maria.

São características dos pobres em espírito:

-       Depositar, humildemente, sua confiança em Deus.
-       Colocar sua vida nas mãos de Deus.
-       Não se revoltar contra sua vontade, diante de vicissitudes e contradições da vida.
-       Abrir-se confiante para Deus, sua vontade, sua palavra, seu Reino.
-       Ter Jesus e os valores Evangélicos como principal riqueza. (14)

Assim viveu Madre Teresa Michel. Seus escritos nos revelam toda esta riqueza espiritual. “Somos miseráveis, Padre, tão miseráveis; porém, muitas vezes o Senhor se serve dos mais miseráveis para fazer deles instrumentos de suas misericórdias…” (15) “Nada mais no mundo existe para mim, senão o Senhor. As vezes, temo condenar-me… Mas, depois, agarro-me ao S. Coração de Jesus e nele confio, a qualquer custo. Ele vê tudo, e, como um Pai misericordioslssimo, não pode permitir que uma criatura sua se perca”. “Estou em meio a tribulações de todo o gênero, Padre. Quisera ser boa e sofrer, a fim de adquirir algum merecimento… Sim, é no campo de batalha que se provam os bons soldados. Não nos desanimemos. Lutemos e soframos por nosso caro Senhor, que é tão bom, mesmo quando nos prova…” (17)

“Só o Coração de Jesus, que nos conhece a fundo, pode dar o conforto verdadeiro, aquele raio de luz que nos dará alento para segui-lo em nosso Calvário, a força para chegar ao alto e ali permanecer, enquanto lhe aprouver. Jesus mesmo te guiará e sustentará no difícil caminho e te fará alcançar a desejada meta…” (18)

2° – a)  “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”!

        b) Bem-aventurados os pacíficos (os que promovem a paz) porque serão chamados de filhos de Deus. (19)

Estas duas bem-aventuranças dizem respeito mais às atitudes do que fazer, do agir, do que apenas às atitudes do ser. Pode-se dizer que é a “doutrina de ouro” da relação com o próximo.

“Ser misericordioso quer dizer:
-       Comprometer-se a ajudar os aflitos, os mais necessitados.
-       Vencer o egoísmo, o comodismo, sair de si mesmo para ajudar o irmão que necessitar.
-       Procurar atingir tanto as necessidades e misérias materiais, quanto às morais e espirituais.
-       Perdoar de coração o próximo, sempre, indefinidamente” (20)

Segundo as palavras do próprio Jesus, as Obras de Misericórdia são a matéria do Juízo final:

“Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era forasteiro e me acolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me. Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (21)

Encontramos aqui o ideal, o programa de amor e caridade que Madre Teresa Michel viveu e legou à Congregação por ela fundada. Tocada pela graça divina, guiada pelo Espírito Santo, Madre Teresa Michel aprendeu a lição do amor, da misericórdia. “Os pobres aumentam a mais não poder. Quisera alargar os braços para acolhê-los todos sob as asas da Providência Divina”.

Sim, aprendeu a lição do maior amor! Amou a Cristo, Deus que se fez um de nós e o serviu na pessoa da “pobre gente” que a providência lhe mostrou! Alargou os braços, num amparo universal e saiu, estrada a fora, acolhendo os sofredores, incansável no amor – serviço! A todos ia mostrando o Pai do Céu, nosso Pai – o Deus Providencia, que não falha! A tudo renunciou: honras, glórias, riquezas… Nada mais lhe importava! E foi acolhendo crianças, velhos, aleijados… Acolhendo todos que dela necessitavam! E os ia colocando sob as asas amorosas, da Providência de Deus!

E o pobrezinho, por sua vez, ia lhe revelando O mistério inefável desta Providência… O pobrezinho, qual outro Cristo Crucificado, Sacramento de Deus! Alargou seus pensamentos, Alargou seu já grande coração, E, a toda gente, foi amando como Jesus amou!

Alargou seus ouvidos, aguçou-os atentos e fez seus, os gemidos de dor, os lamentos de angústias, As lágrimas das crianças, dos pobres e abandonados! Fez-se a mãe desta pobre gente, para curar suas feridas, enxugar-lhes as lágrimas, gritar seus direitos, defendê-la aguerrida, amá-la em Cristo!

Alargou e alongou seu olhar, E foi descobrindo, à beira das estradas, nos tugúrios e nas prisões, Os marginalizados do Amor! A elegante dama fez-se “peregrina da caridade” “Perdeu sua própria vida”… E viveu só para Deus e o irmão. Dedicou-lhe, generosa, o maior Amor, A maior Esperança, a maior Fé, Vivendo na maior comunhão com o Senhor!

Para continuar sua Obra de amor e serviço fundou a Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência, a 8 de Janeiro de 1899, aniversário do falecimento de sua querida Mãe.

“Não sonhei jamais com prosperidades materiais, mas com uma família religiosa, unida de coração e espírito, que amasse verdadeiramente o Senhor, e o amasse e servisse em seus pobrezinhos”.

Também ela se fez pobre. Distribuiu todos os seus bens e se fez ate pedinte para sustentar seus protegidos! Entregou-se confiante nas mãos da Divina Providência e nos legou este carisma, que nos deve identificar.

As Obras de Misericórdia espirituais faziam também parte de seu projeto de vida: instruir, aconselhar, consolar, confortar, perdoar e suportar com paciência. Estava sempre empenhada em “promover a paz”: reconciliar famílias e pessoas, fazer crescer a comunhão fraterna entre Irmãs. Dizia mesmo — ser um de seus maiores sofrimentos interiores quando sabia que, em alguma Comunidade, não se vivia plenamente o amor fraterno, não reinava ali a paz!

“Digo que devemos compadecer, como temos necessidades de compaixão, e que devemos sofrer qualquer coisa antes que perder a paz e fazê-la perder aos outros. Uma Casa Religiosa sem a paz e como se fosse sem Deus , é uma anomalia. Por isto, uma só coisa peço ao Senhor, com todo fervor possível: que nos dê a sua paz. Empreguemos, pois, toda nossa boa vontade para conservá-la”. (22)

“Procura ser fiel às inspirações de Deus, e promover sempre a paz, dizer sempre uma boa palavra, quando podes e a quem podes. Assim estarás bem, far-te-ás santa e atrairás as bênçãos de Deus sobre a Comunidade. Seja sempre boa, a primeira em tudo, humilde e paciente. Pensa que disto depende a felicidade de todas e especialmente a minha…” (23)

À mulher que se queixava do marido irascível, nunca satisfeito, pouco paternal com as crianças, a Senhora Madre propôs que fizesse… um lauto jantarzinho. Como não tinha dinheiro, deu lhe cinqüenta liras. Orientou-a no preparo da mesa, e de pratos saborosos. Também que lhe dissesse palavras amáveis… No dia seguinte, o casal veio de braços dados, acompanhado pelos filhos, agradeceu a Madre, prometendo maior harmonia. (24)

Considerava a paz um grande tesouro. Na circular enviada às Irmãs, pelo Natal de 1907 assim se expressou. “Esta carta será para vós um eco fraco, mas fiel, dos Votos que formulo, todos os dias, por vós e os formularei mais ardorosos que nunca, aos pés do Presépio. Que Votos? Muitos, porém resumo todos num só, que na verdade encerra todos: E que na Pequena Obra, em cada uma de nós, em todos que a Divina Providência vos confia, reine a paz, aquela verdadeira paz que o Menino Jesus prometeu por seus anjos às almas de boa vontade”. (25)

Promover a paz é uma forma de Evangelização, e trabalhar pela comunhão dos homens entre si e com Deus Pai.

a)     Sendo promotores da paz e que somos chamados filhos de Deus!

b)    Assim viveu Madre Teresa Michel, assim devemos viver nós, suas filhas espirituais, a fim de prolongar sua Obra de Caridade e Misericórdia, de promotoras da paz!

3° – “Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus”! (26)

“O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração humano não imaginou (Is 64,4) isso Deus preparou para aqueles que o amam”. (27)

“Na linguagem bíblica, ter coração puro, é algo mais do que apenas a virtude da pureza e castidade. E ter um interior verdadeiro e uma conformidade com a lei de Deus. Puro de coração é aquele que conseguiu livrar-se de toda falsidade e más tendências, livrar-se dos falsos ídolos. Também possuem as mãos limpas.

A visão de Deus se realiza no Reino de Deus escatológico, mas esta bem-aventurança nô-la promete desde aqui, agora. É o dom recebido pelos contemplativos. Dom que leva a uma experiência de Deus profunda, real, embora limitada”. (28)

Esta bem-aventurança faz com que a pessoa sinta verdadeira felicidade na participação das cerimônias litúrgicas do Culto Divino, nas orações comunitárias e individuais.

Também, aqui, encontramos a vida de Madre Teresa Michel, em perfeita ressonância com este dom de Deus.

“Ao ouvi-la ler as meditações com aquele sentimento profundo de fé e de verdadeira compreensão da vida que nos espera, parecia querer enxertar em nossa mente e coração as suas profundas convicções de amor para com Deus e para com os pobres”. (29)

”Várias Irmãs tiveram a oportunidade de vê-Ia em oração, aos pés do tabernáculo absorta em contemplação, em verdadeiro êxtase (30). Na oração encontrava força, coragem, alegria para ir ao encontro dos irmãos.

Para a Capela queria o melhor. É a casa de Deus! As flores mais lindas, o linho mais branco, os vasos sagrados mais ricos, a limpeza mais apurada! Ali no Tabernáculo, está vivo o próprio Cristo Jesus! Quanto amor, respeito e adoração merece o Altar do Senhor! Ali passava horas intermináveis e noites de vigília!… Ali, encontrava sua felicidade na terra e o caminho em direção aos pobres e sofredores.

“Eis-me perto de ti, amável Jesus, Pai Amigo, Esposo. Sim, tu és meu Jesus, porque me libertaste da horrível escravidão do pecado e do mundo, e me admitiste ainda ao teu real banquete. Meu Pai, sobre teu afável peito não me lembrarei mais de ser órfã. Se alguma lágrima de tristeza vier banhar meus olhos, eu me lembrarei de ter em ti um Pai, que me ama ternamente, e, só a teu lado, repousarei feliz”. (31)

” Aprende a viver a vida interior, isto é, a tratar mais intimamente com Ele, como se estivesse presente — como de fato está no Santíssimo Sacramento — e fazer-lhe todas as tuas confidências e ser-lhe companhia na solidão do Tabernáculo…” (32)

Madre Teresa Michel descobriu, pelo dom que recebeu de Deus e pela disponibilidade total em fazer sua vontade, as duas formas da experiência de Deus: encontrá-lo na pessoa de Jesus, através da contemplação e na pessoa do próximo, servindo-o por amor, e nele encontrando, também, o próprio Cristo.

“Tudo o que fizerdes a um dos meus irmãos mais pequeninos, é a mim que o fizestes”.

4°    a)   “Bem-aventurados os que choram (os aflitos) porque serão consolados”.

       b)  Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. (33)

“Estas duas bem-aventuranças se referem a uma igual atitude evangélica: Sofrer, movido por grande desejo do Reino de Deus e ter sede e fome de justiça, que significa o mesmo anseio do Reino de Deus, que trás consigo a justiça. Jesus disse “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”. (34) Este trecho Evangélico parece dar origem ao nosso carisma fundamental: “Abandono à Divina Providência no serviço, principalmente, aos mais necessitados”. Procurar sempre e em tudo a expansão do Reino de Deus. Ter Deus como Senhor absoluto em nossa vida. Só Ele é o Santo, o Altíssimo ao mesmo tempo, o Pai bondade e misericórdia. Ser justo para com Ele.

Na linguagem bíblica, ser justo e ser santo. “Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”. (35)

Para vivermos estas bem-aventuranças precisamos, primeiro da conversão. Dai, se parte para a justiça social. A prática da justiça é um caminhar rumo á fraternidade. Sem justiça não há paz, nem amor, nem caridade. Este foi o caminhar de Madre Teresa Michel. Ferida pela dor, queria morrer. Tocada pela graça divina, volta seu coração só para Deus e torna-se a “Mãe dos pobres”.

“É o dom da Piedade que inspira particularmente, a fome e sede da justiça, a misericórdia, a paz. Todos esses dons são mantidos pela Força do Espírito Santo”. (36)

Madre Teresa Michel praticou as virtudes cristãs em grau heróico. Gozou da fama de santidade não só entre suas Irmãs como entre estranhos. Os médicos que a assistiam, os sacerdotes seus diretores espirituais, os benfeitores de sua Pequena Obra, todos sentiam algo extraordinário em sua presença. (37)

Teve sempre uma confiança inabalável em Deus e considerava injustiça desconfiar de seu amor misericordioso, de sua Providência.

“Não faças injustiça ao Senhor… Dize-lhe com toda confiança Sagrado Coração de Jesus, confio em Vós…Ele quer esta confiança de suas pobres criaturas e as recompensa sempre”. (38)

“Unamo-nos todos no santo nome de Deus e teremos mais força para caminhar. Sob o estandarte de Nossa Senhora, combateremos, trabalharemos e venceremos, espero, tendo, apenas, um só e único desejo: o restabelecimento do Reino de Jesus Cristo em nossos corações e no de todos os homens. Oh! que Jesus Cristo reine como absoluto Senhor”. (39)

Foi também seu zelo pela expansão do Reino de Deus que a fez transpor oceanos e chegar até o Brasil, preocupada com os imigrantes italianos, longe da Pátria e sem auxilio religioso.

“Somos italianas e, infelizmente, por isso, encontramos maior dificuldade.

A Divina Providência nos trouxe para aqui faz 6 anos, talvez para ajudar nossos pobres compatriotas, que são muito numerosos e aos quais falta absolutamente instrução religiosa, em particular aos do interior. Sentimos necessidade de estar perto de nossos pobres camponeses, para ajudá-los nesta Obra, precisamos também de Missionários que nos ajudem…” (40)

5°     a)   “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!”

     b)  Bem-aventurados sereis, quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem, falsamente, todo o mal contra vós, por causa de mim.

Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vos.” (41) “No itinerário das bem-aventuranças, a perseguição e o martírio constituem a suprema identificação com Jesus. Ele nos adverte que, ao sofrermos perseguição, devemos assumi-la como uma graça, uma exigência de seu seguimento, uma bem-aventurança. Deve tratar-se, no entanto, de perseguição por causa de Cristo e de seu Reino: “co-herdeiros de Cristo, sofremos com Ele, para também com Ele sermos glorificados”. (42)

Quando somos vitimas de ódio, rejeição, injurias, pressões, hostilidades, desconfianças, incompreensões, tudo por causa do seguimento de Jesus, da justiça ou do bem, então, seremos bem-aventurados” (43)

É a cruz, subida do Monte Calvário, que precedem a Ressurreição! Cruz aceita e carregada com humildade, reconhecendo nossas falhas, erros ou até culpas! Só assim experimentaremos a bem-aventurança, a verdadeira felicidade.

Podemos também, aqui, afirmar: assim viveu Madre Teresa Michel, por isso, foi uma mulher bem-aventurada!

Desde o instante em que a graça lhe tocou o coração, converteu-se inteiramente para Deus e passou a viver a radicalidade das lições Evangélicas.

Desfez-se de seus bens materiais em beneficio dos pobres e se fez também ela pobre. A própria família, os amigos e conhecidos não conseguiram compreende-la.

Foi considerada louca, sofreu o rompimento das amizades e não lhe faltavam censuras, pela incompreensão de sua atitude evangélica.

As autoridades civis e eclesiásticas, também, não concordavam com sua maneira de administrar a “Pequena Obra” caritativa, por ela fundada. Tendo fundado também a Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providencia, sofreu incompreensão até de algumas das próprias filhas espirituais.

Tudo, porém perdoava, julgando-se incapaz e até culpada, muitas vezes. Nestas horas difíceis, “agarrava-se” à oração e se abandonava nas mãos da Providência Divina.

Colocava-se confiante nos Corações de Jesus e Maria e ia para frente!

Não foi recebida, quando em visita a Casa por ela fundada, em S. Paulo, Mooca, tendo-lhe dito a Superiora, estar autorizada pelo Arcebispo, a não receber “quem viesse trazer desordens…”

“As ocupações contínuas, os sofrimentos, as provações, que também aqui me atormentam, deixam-me pouco tempo disponível para escrever… que se pode escrever, quando o coração chora e está sofrendo? O mundo falará mal de nós, e suscitará calúnias e perseguições, tratar-nos-á com desprezo… mas por quanto faça, não conseguirá arrancar-nos a paz, aquela paz que só Deus pode dar e que nos recompensará plenamente pelas tribulações que se padecem por seu amor”. (44)

Passou a noite, na sala, febril e acordada… Ao amanhecer retirou-se dizendo apenas a companheira de viagem: “Aqui não há caridade, vamos!”

Muito se esforçou para conseguir a união que só se efetuou, após sua morte, em 1946.

Pediu às Irmãs um santo silêncio sobre o ocorrido, sabendo que tudo que Deus faz ou permite é para nosso bem. Temos que aprender a encontrá-lo, nos acontecimentos, mesmo que nos aflijam, só assim receberemos também a graça de sermos bem-aventurados.

Em nossas Constituições lemos:

“A obra de Madre Michel repete na cidade terrena a mensagem de Cristo, que convida a viver as bem-aventuranças, entre os irmãos, na educação, na enfermagem, no serviço social e em outras atividades, mediante o apelo da Igreja”. (45)

1.   Lc 11, 27-28
2.   Jo 4-34
3.  Carta ao Diretor Espiritual, (10/04/1900) Alla Scuola de Madre Teresa Grillo Michel
4.   Carta a outras Religiosas, (14/10/1924) O.C.
5.   Carta de MT Michel (29/09/1905) O.C
6.   Catecismo da Igreja Católica, 2ª edição -1993
7.   Renovar-se no Espírito – P.R. Regamey – pag.- 106
8.   Carta – Madre Teresa Michel – C. Torriani
9.   Carta a Sacerdotes, seus confessores 31 /07/1923
10.  Carta a seus confessores, (27/07/1900) O.C.
11.   Espiritualidade da Evangelização, Segundo as bem-aventuranças S. Galilea -1980
12.   Cfr. S. Galilea -O.C.
13.   Mt 5,3 e 5
14.   Cfr. S. Galilea – O.C.
15.   Carta ao Diretor Espiritual (24/12/1905) O.C.
16.   Carta aos Diretores Espirituais (21/01/1908) O.C.
17.   Idem (16/09/1898) O.C.
18.   Carta a amiga Teresa Biasi (07/06/1932) O.C.
19.   Mt5,7e9
20.   Cfr. S. Galilea,O.C.
21.   Mt 25,35-40
22.   Carta às Religiosas – (03/04/1921) O.C
23.   Carta às Irmãs (sd)
24.   Madre Teresa Michel -M. Dr. Carlos Torriani-4ª edição
25.   Madre Teresa Michel –M. Torriani, 4ª edição
26.   Mt5, 8
27.   1 Cor 2, 9
28.   Cfr. S. Galilea, O.C.
29.   Madre Teresa Michel -D. Torriani – 4ª- edição
30.   Madre Teresa Michel -D. Torriani O.C.
31.   Madre Teresa Michel – Oração – Alla Scuola…
32.   Carta -19/11/1920 – O.C.
3:5.  Mt 5,4 e 6
34.   Cfr. S.Galilea-O.C.
35.   Mt 5,20
36.   P.R. Regarney O.C
37.   Articoli per Il processo inform . della Beat e Canon. – Madre Teresa Michel -1953
38.   Carta a amiga Teresa Biasi -14/11/1935 O.C.
39.  Carta a seus diretores – 25/03/1904 – O.C.
40.   Carta ao Santo Padre -São Paulo – 28/08/1906-O.C.
41.   Mt 5, 10 -12
42.   Rom 8,17
43.   Cfr. S. Galilea – O.C-
44.   Carta -Madre Teresa Michel – D. Torriani
45.   Constituições – Cap II, 12 – 1984

Ir Violeta mostra bem nos seus escritos como Madre Michel foi uma mulher bem aventurada, alguém que buscou até o fim a vontade de Deus e a cumpriu. Ela viveu as bem aventuranças falados por Jesus e sua vida foi um evangelho vivo. Seja ela nosso exemplo de uma vida bem aventurada, feliz na presença de Deus a começar nesta terra. Ir Cássia

Copyright © 2015 - Colégio Sagrado Coração de Jesus. Todos os direitos reservados.