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A Providência E A Graca – Parte 14


Reflexão Madre Michel

O sentido da Graça é ligado ao de Providencia Divina. É o dom de Deus, contém todos os outros dons, o dom de seu filho.

A graça, revelada e dada por Deus em Jesus Cristo, esta presente no Antigo Testamento como promessa e esperança. Aparece em diversas formas e nomes, porem unindo Deus que dá e o homem que recebe.

O próprio Deus assim define: Ex 34,6: “Javé, Deus de ternura e de graça, tardo a irar-se e rico em misericórdia e de fidelidade.”

“Quão precisa é a tua graça, ó Deus! Os homens se refugiam à sombra de suas asas, saciam da super abundância de sua casa…”

A “bênção” É o que melhor traduz o efeito da generosidade de Deus para com o homem. “Mantém na pessoa que recebe a vida, o gozo, a plenitude da força. Estabelece entre Deus e a criatura pessoal. Faz com que os olhares de Deus, a irradiação de seu rosto e de sua graça se posem sobre o homem.”

Num 6,24-26: O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor te mostre a sua face e te conceda sua graça! O Senhor volte o seu rosto para ti e te dê paz!”

A gratuidade da graça faz com que São Paulo sempre repita: A salvação é dom de Deus, não salário merecido pelo trabalho {Rom 4,4 ;Rom 11,6). Não é dada por fidelidade à lei: (Gal 2,21; Rom 4,16) A graça especialmente se revelou em Jesus Cristo. É a revelação da generosidade soberana do Pai. A vinda de Jesus Cristo é também a maior Providencia de Deus. Ele é a própria Providência.

FÉ NA PROVIDÊNCIA DE DEUS

Concepções unilaterais e falsas

Segundo Schillebeeckk, ha concepções unilaterais e mesmo falsas, de Fé na Providência Divina.

1°) Fé orientada sempre no sentido do que nos é mais proveitoso. Considerar a Providencia como algo que nos preserva das contrariedades, das desgraças, dos sofrimentos e de tudo que ameaça nosso bem-estar. Também com aquilo que nos proporciona, por exemplo, uma fortuna inesperada, um prêmio na loteria etc…

2°) Considerar a Providência como uma espécie de fatalidade. Nada visto é como fruto da solicitude de Deus, como um gesto de amor, mesmo incompreensível. Um Deus pessoal que nos quer dizer alguma coisa. Considerar os acontecimentos como fatalidades e não lhes dar um sentido cristão. Diante da morte de alguém, por exemplo, sentir e dizer: “Devia ser assim”, tinha que acontecer”.

3°) Resignação passiva. Outras pessoas são resignadas. Acham o mundo mau e nada fazem. Esquecem que a fé na providencia pode exigir de nós o agir e não deixar o mundo, as coisas como estão. E uma fé” que deve ser operosa. Chama-nos a renovar a face do mundo. A fazer alguma coisa, a lutar, sempre confiados na ajuda de Deus,

Fé e verdadeira no Governo Providencial de Deus

A verdadeira fé no governo Providencial de Deus consiste numa confiança pessoal no Deus vivo que se interessa, pessoalmente, pela nossa vida.

Acolhemos seu oferecimento gratuito de amor, sabendo que Ele tem piedade e miseric6rdia de nós e cuida de seus filhos com solicitude de Pai.

“Saímos de nós mesmos e entramos na comunidade Trinitária de Deus, graças ao amor que nos foi dado em Cristo, pela efusão do Espírito Santo.”

Quando descobrimos que Deus nos criou, deu-nos a vida e que só o fez por amor, a ideia de sua Providência assume um significado novo para nós.

A vida toda de cada pessoa é obra da criação. Nada em nós escapa ao ato do criador: vontade, ações, corporeidade. Mesmo o fato de ser um de nós, constantemente “situado”.

Tudo é manifestação do amor criador de Deus. No entanto a pessoa tem liberdade, é livre: pode dizer “não” ao amor de Deus- único obstáculo à sua ação na pessoa.

Conforme Teillard:” A Escritura diz que Deus fez o homem à sua imagem; seu parceiro. O senhor da criação. Entregou-lhe o universo, para que o homem o levasse à perfeição. E lhe entregou também seu destino de criatura inteligente. O homem deve descobrir, para si, um autêntico poder sobre si mesmo: que atribua a si um papel de providência sobre a criação. Is to sem perder de vista, jamais, que este poder ele o detém de Deus e só de Deus.”

A fé na Providência tem dois aspectos:

a)  aceitação;

b)  engajamento e iniciativa.

a)  “Com referência à aceitação, muitas vezes, se perde de vista que, ali, ante condições inevitáveis, ali, precisamente, passa a estrada designada para nós pela Providência Divina, a fim de realizarmos concretamente nossa vocação.” E muitas vezes buscamos outras estradas…

b)   A fé na providência é também crer na nossa missão de modificar, no que de nós depender, certas situações, mudando a fisionomia do mundo.

Há injustiças no mundo. É preciso sair da acomodação, do comodismo, da passividade e trabalhar no sentido de melhorar, de promover as pessoas. Confiar também nos outros e não querer fazer tudo sozinho.

Temos certeza de que, quando, embora sinceramente empenhados, falhamos, Deus opera por nós. “Depositemos nelas todas as nossas aflições, porque ele cuida de nós. “(Cfr. 1 Pd 5,7)

“O homem é uma liberdade situada “. Como agir diante de situações inevitáveis?

a)   Vamos entender seu sentido;

b)   Ou vamos dar-lhes um sentido (Ex. de Madre Teresa Michel);

Estas situações se tornam elementos de um diálogo com Deus. Através delas, vamos entrar em comunidade com Ele. Por parte de Deus, elas se transformam numa graça, pela qual, descobrimos como Deus nos quer fazer viver, desde agora, em comunhão com Ele. Serão tarefas de nossa vida. Através delas, tomamos conhecimento da vontade de Deus e descobrimos uma responsabilidade, uma missão, um chamado de Deus.

SI 121:   “Para os montes levanto os olhos:

De onde vira o meu socorro?

O meu socorro virá do Senhor,

Criador do Céu e da terra.Ele não permitirá que teus pés resvalem;

Não dormirá aquele quem te guarda…”

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